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Trator autônomo da Case IH antecipa o futuro do agronegócio

O agronegócio é a grande aposta dos setores produtivos para impulsionar a retomada da economia brasileira. Embora esse importante setor econômico também tenha encolhido no ano passado devido à combinação de diversos fatores, como a recessão e interferências climáticas na produção e colheita na temporada 2015/2016, empresas e produtores já apontam para sinais positivos no mercado, que indicam resultados frutíferos em 2017 para a cadeia produtiva. Um exemplo disso é a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, cuja soma pode atingir mais de 220 milhões de toneladas em 2017 (93% de soja, milho e arroz), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a estimativa do órgão, a safra brasileira de grãos deve crescer 21,8% neste ano.

Com base nesse cenário positivo, fabricantes de máquinas e implementos agrícolas estão apostando na atualização tecnológica do portfólio para oferecer ao mercado produtos mais modernos, competitivos e condizentes com o novo momento da economia nacional. É o caso da Case IH, que, em agosto do ano passado apresentou uma proposta ousada de trator autônomo na Farm Progress Show, uma das maiores feiras agrícolas dos Estados Unidos. O novo produto conceito da Case IH foi concebido para funcionar sem operador e controlado por tablet. Ainda não tem previsão para ser comercializado, mas já surpreendeu o mercado agrícola e antecipa como será o futuro do setor.

O modelo escolhido pela equipe do departamento de Engenharia de Inovação da Case IH para ser a base do “trator futurista” foi o já consagrado Magnum. O 1º trator autônomo da fabricante segue a evolução tecnológica da marca, que tem como princípio os avanços bem-sucedidos na agricultura de precisão (AFS), como as ferramentas de telemetria, piloto automático, gerenciamento remoto de dados, além do monitoramento de produtividade, plantio e condições meteorológicas. “Esse trator autônomo ainda é um conceito, não existe uma data definida para comercialização. As tecnologias estão sendo introduzidas gradualmente, é o que chamamos de “road to autonomy” (estrada para a autonomia). Lançaremos essas tecnologias passo a passo nos nossos produtos até chegar ao ponto que o mercado esteja pronto para o lançamento comercial de um trator totalmente autônomo. Para isso, ainda precisamos avançar na preparação das propriedades e, principalmente, regulamentação. A tecnologia já existe”, afirma Christian Gonzalez, diretor de marketing da Case IH para a América Latina.

Informações a um clique de distância
A máquina conceito não tem cabine e pode funcionar autonomamente com um grande alcance de implementos de campo. O veículo oferece interface completamente interativa, permitindo o monitoramento remoto das operações pré-programadas. O sistema a bordo leva automaticamente em consideração as larguras dos complementos e estabelece o percurso mais eficiente dependendo do terreno, obstruções e máquinas em uso no mesmo campo.

Remotamente, o operador pode supervisionar e ajustar os caminhos e parâmetros pelo computador ou tablet. As tarefas da máquina também podem ser modificadas em tempo real pela interface remota ou avisos meteorológicos automáticos. O usuário será informado de que está faltando combustível no trator ou de que o estoque de sementes/fertilizantes está baixo, por exemplo. Um caminho manual pode ser planejado de qualquer ponto no campo para um local pré-definido em que o reabastecimento ou carga de sementes/fertilizantes possa ocorrer. Quando estiver completo, o veículo retornará para o último ponto onde parou e voltará a fazer seu trabalho.

Mediante o uso de radar, com reflexão, geração e telemetria de luz, além das câmeras de vídeo a bordo, o veículo pode perceber os obstáculos parados ou em movimento no seu caminho e parar sozinho até que o operador, notificado por alertas sonoros e visuais, especifique um novo percurso. O trator autônomo da Case também para de funcionar imediatamente se o sinal do GPS ou dados de posição for perdido, ou se o botão de parada manual for pressionado. Cada um dos sistemas de detecção e percepção tem um sistema auxiliar interno, que iniciará se o sensor principal falhar. Se os dois sistemas falharem, a máquina é levada a parar imediatamente. O sistema oferece ainda duas opções configuráveis se, por exemplo, um animal cruzar o caminho do veículo e depois sair. O sistema pode ser configurado para que o trator volte automaticamente ao seu caminho normal ou espere por intervenção humana para fazê-lo voltar ao caminho normal.

Eficiência operacional
Essa tecnologia também permite que vários tratores autônomos funcionem como uma frota ou simultaneamente em várias frotas menores designadas para campos separados, cada uma orientada com mapas e trajetos pré-programados. Pode-se ter um trator puxando um implemento acompanhado de perto por outro operando uma plantadeira. “Em várias partes do mundo, encontrar mão de obra qualificada durante a temporada de safra é um desafio constante para nossos clientes. Enquanto hoje oferecemos piloto automático e telemetria em nossos equipamentos para o gerenciamento remoto de máquinas e funcionários, esse conceito de trator autônomo oferecerá aos nossos clientes ainda mais eficiência operacional para tarefas como preparo do solo, plantio, pulverização e colheita”, diz o presidente mundial da Case IH, Andreas Klauser.

O executivo explicou ainda que o conceito foi criado para validar a tecnologia e para coletar o feedback dos clientes sobre o interesse e as necessidades deles por produtos autônomos futuros para as suas operações. “Explorar as possibilidades que essa tecnologia pode fornecer para nossos clientes é algo muito empolgante para nós. Estamos ansiosos para receber as contribuições deles sobre esse conceito e como ele pode ajudá-los a atingir as novas eficiências de produção”, afirma o presidente da Case IH.

Para o desenvolvimento dessa tecnologia autônoma do trator conceito, a CNH Industrial, empresa responsável pela marca Case IH, trabalhou em parceria com seu fornecedor de tecnologia a distância: a Soluções Autônomas Incorporadas (ASI), uma empresa líder em soluções não rodoviárias, sediada em Utah, nos EUA.

Diferenciais da série Magnum A série de tratores Magnum, modelos 235, 260, 290, 315 e 340, vem equipada com motores FPT Industrial Cursor 9 de 8,7 litros, 6 cilindros e turbo comprimidos. A potência da série varia entre 235 e 340 cavalos. Esses tratores são equipados com o sistema Common Rail, que proporciona uma queima mais eficiente do combustível, garantindo menor consumo e potência superior. Além disso, os modelos contam com um sistema de tomada de ar feito na parte superior da cabine, que garante ar mais limpo e melhor vida útil do motor. Os filtros de ar também foram reposicionados para facilitar o acesso e a manutenção que pode ser feita ao nível do piso, demandando menos tempo em cada operação. Todos os modelos são equipados de série com o Power Boost, que permite um incremento automático de até 35 cv de potência quando a máquina está realizando operações de transporte, quando a tomada de força traseira estiver engatada e absorver entre 25 e 35 cv de potência ou quando estiver realizando operações com as válvulas remotas e a exigência externa de óleo hidráulico absorver entre 25 e 35 cv de potência.

A transmissão Full Powershift permite a mudança contínua de 18 velocidades à frente e 4 à ré (standard), sem uso de embreagem com velocidades de até 40 km/h. Para equilibrar o consumo com a potência, os novos modelos são equipados com o gerenciamento automático de produtividade APM (Automatic Productivity Management), que seleciona automaticamente a relação de transmissão e a velocidade do motor mais eficiente para o tipo de terreno, otimizando o desempenho da máquina e propiciando economia de combustível. A transmissão Full Powershift proporciona aos tratores Magnum produzir a potência exata que as tarefas exigem, com a otimização do consumo de combustível e uma performance mais eficiente.

Os eixos dos tratores Magnum da nova série foram projetados com distribuição ideal do peso e melhor raio de giro em seus segmentos, por isso são capazes de fazer curvas fechadas e precisas. A sua capacidade de manobra é superior e não força a estrutura do trator. Todos os tratores são equipados de série com eixo classe V para aplicações pesadas.

Já o fluxo hidráulico da série autônoma Magnum chega a 225 L/min com cinco válvulas de controle remoto eletrônicas. A capacidade de levante da nova série Magnum chega até 8.573 kg. O engate do terceiro ponto tem regulagens para oscilação total, parcial e sem oscilação. Outro recurso importante é o novo braço multifuncional (Multicontrol) do assento do operador, no qual estão instalados os comandos para todas as funções do trator, de fácil acesso e operação. O Multicontrol move-se em conjunto com o assento, permitindo o matéria de Capa acompanhamento do trabalho que está sendo executado pelo implemento, sem que o operador precise soltar os comandos (remotos).

1º trator autônomo da Case IH: evolução tecnológica para acompanhar as mudanças no campo
Em entrevista à Revista EaeMáquinas, o diretor de marketing para a América Latina da Case IH, Christian Gonzalez, explica detalhes da nova aposta da empresa. E aponta para um mercado cada vez mais exigente em termos de atualização tecnológica. Christian Gonzalez destaca ainda que a Case IH prevê como próximo passo, o aprofundamento do desenvolvimento dos sistemas de detecção e percepção, que vão possibilitar um processamento ainda mais detalhado de dados para facilitar a automação de tarefas ainda mais complexas.

EaeMáquinas – Quais foram as principais motivações da empresa para o desenvolvimento do 1º trator autônomo?

Christian Gonzalez – Acreditamos que estamos no momento certo para exibir e avançar com o conceito do trator autônomo. Esse sistema chega como um próximo passo à diversas tecnologias disponíveis hoje. Já oferecemos piloto automático e telemetria em nossos equipamentos, que possibilitam o gerenciamento remoto da frota de máquinas. Esse conceito de trator autônomo foi criado para validar a tecnologia e para coletar o feedback de nossos clientes sobre o interesse e as necessidades por produtos autônomos para as suas operações. Isso acontece porque estamos sempre em busca de produzir mais, de produzir melhor e de reduzir os desperdícios. Desenvolvemos então o sistema autônomo com o objetivo de tornar a agricultura ainda mais eficiente, permitindo ao produtor rural executar atividades no campo 24h por dia, sem variação de produtividade, possibilitando a ele reimplantar o trabalho em tarefas de valor agregado. Essa tecnologia também colabora para suprir a falta de mão de obra mais qualificada em períodos mais específicos, como no plantio. É interessante observar que, assim como um trator comum, o autônomo pode ser usado na lavoura, no cultivo, na plantação, na pulverização, na ceifa e no transporte interno dentro da propriedade, além de outras possibilidades. Mas ele é capaz de fazer mais em um espaço de tempo menor (plantar mais culturas em um espaço de clima adequado) enquanto aperfeiçoa todo o resultado, o que eleva os rendimentos.

EaeMáquinas – Há uma grande expectativa para a retomada do crescimento econômico no país, e o agronegócio é um dos principais setores para puxar esse crescimento. Comente como essa retomada está motivando empresas como a Case IH a atualizarem o portfólio de máquinas?

Christian Gonzalez – Mesmo com a recente retração da economia brasileira, nós não paramos de investir. No ano passado, fizemos um de nossos principais lançamentos na América Latina, as Colheitadeiras de Grãos Axial-Flow Série 130. Foram mais de 40 milhões de dólares no desenvolvimento do projeto, testes de campo e na preparação de uma
linha de montagem exclusiva na fábrica de Sorocaba, no interior de São Paulo. E, com os sinais positivos para 2017, preparamos uma série de novidades e lançamentos para auxiliar o produtor brasileiro nessa retomada, como a nova plantadeira Easy Riser 3200, com menos pontos de lubrificação (apenas dois em toda a máquina), o que permite ao agricultor reduzir em até oito horas por mês o tempo parado para lubrificação, e os modelos 2017 dos tratores e colheitadeiras Axial-Flow Série 230 com os novos motores FTP Industrial MAR-1/Tier 3, os mais modernos da categoria. Além disso, estamos constantemente modernizamos nossa linha de colhedoras de cana e de café.

EaeMáquinas – É possível estimar um prazo para a comercialização do trator autônomo da Case IH no mercado global?

Christian Gonzalez – Nosso foco atual está em continuar a melhorar os sistemas que estamos desenvolvendo para facilitar sua aplicação em uma cartela maior de produtos. Continuamos a expandir as capacidades dos sistemas de veículo autônomos e a melhorar os equipamentos de automação. O próximo passo é desenvolver ainda mais os sistemas de detecção e percepção, que possibilitarão um processamento ainda mais detalhado de dados para facilitar a automação de tarefas ainda mais complexas.